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Psicólogos explicam porque quem anda devagar parece mais confiante.

Homem com casaco bege atravessa passadeira movimentada segurando café. Pessoas e ciclistas ao fundo.

A sala está ruidosa antes de a reunião começar. Portáteis abertos, dedos a tamborilar, alguém a falar depressa demais sobre metas. Depois a gestora entra. Não se apressa. Fecha a porta devagar, inspira, olha em volta da mesa. As pessoas calam-se quase instantaneamente.
Ninguém disse que ela mandava. O ritmo dela disse.
Provavelmente já conheceu esse tipo de pessoa. Respondem depois de uma pausa, sem pressa. Andam como quem sabe para onde vai. Olham para si um segundo mais do que a maioria. E, de alguma forma, sem levantar a voz, parecem inabaláveis.
Os psicólogos dizem que há uma razão para isso. E tem muito a ver com o que acontece naquele pequeno intervalo entre o estímulo e a resposta.

Porque é que mover-se devagar parece uma confiança inabalável

Observe qualquer avenida comercial movimentada à hora de ponta e vai reparar logo. A maioria das pessoas anda depressa, telemóvel na mão, ombros ligeiramente tensos. Depois vê a rara pessoa que se move a um ritmo medido, cabeça erguida, passos firmes. Não se desvia em ziguezague nem se encolhe. Simplesmente ocupa espaço.
Esse ritmo mais lento envia um sinal poderoso, quase primitivo: “Não estou em perigo.” O nosso cérebro, feito para procurar ameaças, lê a lentidão relaxada como sinal de segurança e controlo. Quando não está a correr, parece que tem margem. E margem lê-se como poder.
Não interpretamos isto de forma consciente. Sentimo-lo no instinto quando alguém se move como se tivesse tempo.

Psicólogos que estudam comportamento não verbal veem o mesmo padrão em escritórios, tribunais e até em entrevistas na televisão. Pessoas confiantes tendem a deixar pausas mais longas antes de falar. Movem as mãos de forma mais deliberada. Os gestos começam mais tarde, acabam mais tarde e percorrem menos “terreno” frenético.
Um estudo sobre entrevistas de emprego concluiu que candidatos que esperavam um instante antes de responder eram avaliados como mais competentes e dignos de confiança do que os que respondiam de imediato, mesmo quando as respostas eram semelhantes. Outra experiência mostrou que oradores que abrandavam a fala apenas 10–15% eram vistos como mais persuasivos.
Estamos programados para associar velocidade a ansiedade e um ritmo estável a autoconfiança. O corpo sussurra muito antes de a boca falar.

Ao nível do cérebro, é surpreendentemente lógico. Quando nos apressamos, o sistema nervoso inclina-se para o modo luta-ou-fuga. A frequência cardíaca sobe, a respiração fica superficial, os movimentos tornam-se bruscos. Os outros captam essa agitação, mesmo que não a saibam nomear.
Abrandar faz o contrário. Imita aquilo a que os psicólogos chamam um sistema nervoso “regulado”. Esse estado calmo é contagioso; as pessoas sentem-se menos ameaçadas à sua volta. Interpretam essa facilidade como confiança, mesmo que por dentro ainda se sinta nervoso.
Não é que as pessoas lentas nunca sintam dúvidas. É que o comportamento delas sinaliza: “Eu aguento este momento.” E o nosso cérebro acredita depressa no que o corpo mostra - em nós e nos outros que estamos a observar.

Como usar “confiança lenta” na vida real

Um ponto simples para começar são as suas pausas. Antes de responder a uma pergunta, deixe passar uma respiração completa. Numa reunião, espere meio segundo depois de alguém acabar de falar antes de responder. Ao entrar numa sala, abrande de propósito os primeiros três passos.
Estes micro-atrasos parecem enormes por dentro. Por fora, parecem naturais e compostos. Está a dar ao seu cérebro espaço suficiente para apanhar a sua boca. Esse pequeno intervalo é onde a presença acontece.
Experimente amanhã no café: fale um pouco mais devagar, mexa as mãos metade do que costuma, e olhe para o barista mais um segundo. Repare como a interação se sente diferente.

A maioria das pessoas faz o oposto quando está nervosa. Fala mais depressa para “parecer inteligente”. Corre a preencher silêncios porque o silêncio parece estranho. Brinca com uma caneta, bate o pé, verifica o telemóvel. Todos esses pequenos picos de velocidade deixam escapar insegurança.
Se é esse o seu caso, não está “estragado”. É humano. Num dia stressante, até a pessoa mais calma pode acabar a falar demasiado depressa numa apresentação. Sejamos honestos: ninguém consegue fazer isto todos os dias.
O truque não é tentar uma performance perfeita, zen. É reparar numa coisa que faz à pressa quando está sob pressão e experimentar abrandar apenas isso.

Os psicólogos falam muitas vezes de “confiança incorporada” - a ideia de que mudar a forma como se move pode, aos poucos, mudar a forma como se sente. O seu corpo não é apenas um ecrã que mostra os seus pensamentos. É também um ciclo de feedback.

“Quando alguém abranda, assumimos instintivamente que tem menos a provar e mais controlo”, explica uma psicóloga clínica em Londres. “Só essa suposição pode alterar toda a dinâmica de poder numa sala.”

Pode brincar com essa dinâmica de formas pequenas e concretas:

  • Antes de falar num grupo, coloque ambos os pés bem assentes no chão e expire completamente.
  • Quando sentir vontade de responder à pressa, beba um gole de água e só depois responda.
  • Em conflito, baixe ligeiramente a voz e reduza as suas palavras em 10%.
  • Em videochamadas, mantenha a cabeça imóvel e deixe que sejam os olhos - e não as mãos - a fazer a maior parte do trabalho.

O que abrandar muda discretamente em si - e à sua volta

Acontece algo subtil quando vive apenas uma fração mais devagar do que a sala onde está. As pessoas começam a esperar pela sua opinião em vez de falarem por cima de si. Amigos contam-lhe as suas preocupações porque não parece que esteja prestes a fugir a correr. Colegas deixam de o ler como “nervoso” e começam a lê-lo como “ponderado”.
A um nível mais profundo, mover-se mais devagar dá-lhe uma pequena sensação de escolha. Percebe que não tem de reagir instantaneamente a cada email, notificação ou sobrancelha levantada. Essa sensação de escolha é a matéria-prima da confiança.
Todos já tivemos aquele momento em que o tempo parece esticar - antes de um exame importante, de uma mensagem difícil, de uma chamada arriscada. A lentidão dá-lhe um pouco desse esticão em dias normais.

Ponto-chave Detalhe Utilidade para o leitor
A lentidão sinaliza segurança Um ritmo mais calmo diz ao cérebro “não há ameaça imediata” Ajuda-o a parecer mais equilibrado e digno de confiança
As pausas mudam a perceção Pequenos atrasos antes de falar aumentam a competência percebida Faz com que pareça mais confiante sem mudar a sua personalidade
O corpo conduz a mente Movimentos deliberados podem regular o sistema nervoso Dá ferramentas práticas para sentir menos ansiedade em situações sociais

FAQ:

  • Porque é que me sinto desconfortável quando abrando? Porque o seu sistema nervoso está habituado a acelerar. No início, as pausas parecem espaços onde vai ser julgado. Com o tempo, os outros começam a lê-las como calma, e o seu corpo vai seguindo.
  • Abrandar a fala vai fazer-me parecer aborrecido? Não, desde que mantenha o tom vivo. Trata-se de reduzir a velocidade, não de achatar a voz. Muitos oradores cativantes falam mais devagar do que a média, mas são muito expressivos.
  • Os introvertidos podem usar isto mesmo sendo tímidos? Sim. Não precisa de falar mais - só de se apressar menos quando fala. Uma pessoa reservada que fala devagar e com clareza costuma parecer muito segura de si.
  • E se o meu trabalho for de alta pressão e ritmo rápido? Não precisa de se mover em câmara lenta. Só precisa de uma pequena margem: uma respiração antes de responder, uma primeira frase mais lenta, um gesto calmo em vez de três.
  • Quanto tempo até eu me sentir realmente mais confiante? Varia. Algumas pessoas notam uma mudança numa única reunião. Para outras, são necessárias semanas de prática. O essencial é a consistência em pequenos momentos, não grandes transformações.

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