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Nem natação nem Pilates: a melhor atividade para quem tem dores nos joelhos.

Mulher em fato de banho preto na piscina interior, tocando na água, enquanto um homem está sentado a ler ao fundo.

Cada passo no caminho de gravilha vinha acompanhado do mesmo pequeno sobressalto de dor, a mão a deslizar para o joelho como se o estivesse a tentar manter no sítio. À sua volta, os corredores passavam a flutuar, auriculares nos ouvidos, corpos soltos, como se vivessem noutro mundo.

Num banco ali perto, um homem na casa dos cinquenta esfregava o joelho direito em pequenos círculos, a olhar fixamente para a aula de grupo que saltava e agachava na relva. Quase se ouvia o pensamento na sua cabeça: Eu era assim. Fez scroll no telemóvel, parou num artigo sobre natação para dor nas articulações e depois abanou a cabeça, talvez a pensar na piscina cheia, no cloro, na chatice.

Outro separador mostrava “Pilates para joelhos fracos”. Trabalho de tapete, reformers, bandas elásticas. No papel, parecia óptimo. Na vida real, o joelho dele não queria saber de modas. A articulação só queria uma coisa.

Então o que é melhor do que natação e Pilates para dor no joelho?

A actividade que, de forma discreta, supera tanto a natação como o Pilates para muitas pessoas com dor no joelho é quase embaraçosamente simples: caminhar na água. Não é nadar em pistas. Não é aqua cycling sofisticado. É apenas caminhar, parar, virar e dar passos em água pela cintura até ao peito.

A essa profundidade, a água suporta até metade do seu peso corporal. De repente, o seu joelho tem menos carga para suportar, enquanto os músculos à volta continuam a trabalhar. A sensação é estranhamente libertadora. Consegue mover-se de formas que, em terra, não se atreve há meses.

Não há pressão para ser elegante. Não há técnica de crawl para dominar. Você anda, balança, transfere o peso, e o joelho começa a recordar como é que o movimento seguro se sente.

Numa pequena piscina comunitária, numa manhã de terça-feira, dá para ver isto em tempo real. Uma fila de pessoas com toucas e T-shirts largas avança devagar pelo lado raso. Uma mulher agarra-se ao corrimão, a testar até onde consegue dobrar antes de o joelho reclamar. Há duas semanas, precisava das duas mãos. Hoje, uma mão. Isso é progresso.

O nadador-salvador encosta-se à parede, meio aborrecido, meio investido. Já viu este grupo encolher e crescer conforme a dor agrava ou alivia. Ao lado dele, um fisioterapeuta dá instruções suaves: “Passos pequenos, não grandes. Sinta o pé a desenrolar. Respire.” Os telemóveis ficam nos cacifos. Aqui ninguém anda a perseguir recordes pessoais. Andam a perseguir uma vida em que as escadas não são o inimigo.

Em estudos sobre osteoartrose e dor crónica no joelho, a simples caminhada na água e as aulas de exercício aquático reduzem consistentemente a dor e melhoram a função. Os números não parecem glamorosos, mas acumulam: menos dias maus, mais confiança, menos medo a cada passo fora da piscina.

A natação é fantástica para o coração e os pulmões, sem dúvida. O Pilates constrói força profunda do core e melhora o alinhamento. O problema é o que acontece ao joelho médio, dorido, no mundo real. Nas pistas da piscina, joelhos “maus” têm dificuldade com o impulso na parede ou com padrões de pernada desconfortáveis. Nos estúdios de Pilates, muitos movimentos continuam a carregar o joelho em ângulos que parecem arriscados - ou simplesmente assustadores.

Caminhar na água vai ao encontro da articulação onde ela está. A flutuabilidade reduz o impacto, e a resistência da água transforma cada passo num mini exercício de força. É como baixar o volume da dor, mantendo as colunas ligadas para o trabalho muscular. Não precisa de ser flexível. Não precisa de flutuar bem. Só precisa de estar disposto a entrar.

Como transformar a caminhada na água na sua arma secreta de reabilitação

Comece na zona rasa, onde a água chega algures entre a anca e o peito. Piscinas mais quentes (cerca de 30–32°C) tendem a ser mais gentis para articulações rígidas. Comece com 10 a 15 minutos de caminhada simples para a frente, num ritmo lento e constante em que ainda consegue conversar com facilidade.

Mantenha os pés por baixo das ancas, joelhos “soltos”, olhar em frente. Pense em desenrolar o pé inteiro: calcanhar, meio do pé, dedos. Deixe os braços balançarem naturalmente dentro de água. Quando isso estiver confortável, acrescente pequenos períodos a andar de lado, liderando com uma perna e depois com a outra. Os joelhos trabalham, mas já não estão a lutar contra a gravidade sozinhos.

Se conseguir, termine com dois ou três minutos de “marcha” suave: levantar um joelho um pouco e depois o outro, sem puxar demasiado para cima. Dor até um 3/10 leve e “baça” que acalma rapidamente costuma ser aceitável; dor aguda, picada ou lancinante é o seu sinal de parar.

A maioria das pessoas com dor no joelho não tem falta de motivação - tem é pavor. O medo de que um movimento errado “acabe” com a articulação de vez. Caminhar na água ajuda a silenciar esse medo, mas só se o tratar como uma experiência suave, não como um programa de tropa.

Erro grande número um: dar tudo no primeiro dia porque parece mais fácil do que em terra. É assim que acorda dorido no dia seguinte e culpa a piscina. Comece pequeno, guarde energia, e deixe o seu corpo surpreendê-lo ao longo de semanas, não de dias.

Erro grande número dois: copiar a pessoa super-em-forma a fazer polichinelos na zona funda. A sua história não é a dela. Use o corrimão quando precisar. Faça pausas encostado à borda, pernas a flutuar, apenas a deixar a água segurá-lo. Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isto todos os dias. Três vezes por semana já é heróico para um ser humano ocupado e com dores.

Um médico do desporto com quem falei resumiu assim:

“As pessoas acham que a reabilitação tem de doer para funcionar. Com dor no joelho, essa mentalidade mata o progresso. O ponto ideal é ‘um pouco de esforço, um pouco de desconforto e uma grande sensação de segurança’ - é aí que a água ganha.”

Para manter a coisa simples na sua cabeça, aqui vai uma pequena checklist mental sempre que for à piscina:

  • Como está o meu joelho agora, de 0 a 10?
  • Qual é o meu único objectivo hoje: menos dor, mais confiança ou mais força?
  • Vou parar se a minha dor subir mais de 2 pontos e ficar lá?

Isto não é sobre ser “bom” ou “disciplinado”. É sobre ser curioso. As sessões na água tornam-se pequenas experiências: o que acontece se eu andar mais um comprimento, ou rodar os pés um pouco para fora, ou adicionar passos suaves para trás? O seu joelho começa a enviar mensagens mais claras, e você finalmente tem tempo e espaço para ouvir.

Para além do alívio da dor: como caminhar na água muda a vida do dia-a-dia

Quando as pessoas ultrapassam a ligeira estranheza de “arrastar” passos numa piscina em vez de nadar, muitas vezes acontece algo interessante. Começam a notar mudanças fora da água. O primeiro lanço de escadas que já não parece uma montanha. O momento em que percebem que percorreram os corredores do supermercado sem procurar um banco.

A dor no joelho não é só cartilagem e ligamentos. É caminhadas canceladas, filhos ou netos que não consegue perseguir, trabalhos que o deixam a coxear ao fim do dia. Quando a piscina se torna um lugar onde se mexe sem se preparar para o impacto, o sistema nervoso reorganiza silenciosamente parte desse medo. O movimento passa a ser menos sobre sobreviver e mais sobre voltar a explorar.

Todos já tivemos aquele momento em que fingimos que a dor “não é assim tão má”, porque não queremos admitir quanto a nossa vida encolheu. Caminhar na água não resolve tudo. Mas muitas vezes alarga um pouco as margens do seu mundo. O suficiente para dizer sim a uma caminhada ao fim da tarde. O suficiente para ficar de pé num concerto. O suficiente para sentir que o seu joelho não é quem toma todas as decisões.

Ponto-chave Detalhe Benefício para o leitor
Caminhar na água vence o impacto A flutuabilidade reduz a carga na articulação enquanto a resistência da água activa músculos-chave Menos dor, mantendo o ganho de força e confiança
Fácil de aprender, difícil de complicar demais Passos simples em água rasa, sem técnica especial nem equipamento Acessível mesmo se estiver destreinado, for mais velho ou tiver receio da “cultura do fitness”
Os benefícios passam para a vida diária Melhor tolerância a escadas, estar de pé e andar em terra ao longo de semanas Impacto directo no que consegue realmente fazer com o joelho, e não apenas no que aparece num exame

FAQ

  • Caminhar na água é mesmo melhor do que nadar comprimentos? Para dor no joelho, muitas vezes sim. Nadar tira peso às articulações, mas pode sobrecarregar o joelho com pernadas e impulsos na parede, enquanto caminhar na água trabalha os padrões exactos que usa em terra - de forma mais segura e apoiada.
  • Com que frequência devo fazer caminhada na água para dor no joelho? Duas a três sessões por semana é um bom objectivo. Comece com 10–15 minutos e vá subindo para 25–30 minutos à medida que o joelho tolerar ao longo de várias semanas.
  • E se eu não souber nadar ou tiver medo de água funda? Fique na zona rasa, onde consegue estar de pé com a cabeça bem acima da superfície. Não precisa de nadar; está apenas a usar a água como almofada e resistência suave.
  • Caminhar na água fortalece mesmo as pernas? Sim. A resistência da água faz os músculos trabalharem a cada passo, especialmente quadricípites, glúteos e gémeos, que são cruciais para suportar o joelho no dia-a-dia.
  • Posso substituir os exercícios de fisioterapia em terra por caminhada na água? Pense na caminhada na água como uma grande aliada, não necessariamente uma substituição total. Muitos fisioterapeutas preferem uma combinação: sessões na água para reduzir dor e medo, e trabalho em terra para preparar o joelho para as cargas do mundo real.

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