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Evite cruzar as pernas por muito tempo ao sentar para prevenir varizes e picos de tensão arterial.

Pessoa com relógio inteligente no pulso, sentada no chão, ao lado de uma garrafa de água e meias, em ambiente iluminado.

Ela está apenas a responder a e-mails, com o café a arrefecer ao lado do teclado, uma perna casualmente por cima da outra. Meia hora depois, o pé formiga e fica ligeiramente roxo, mas ela mal dá por isso. Um pequeno beliscão atrás do joelho, uma pressão leve na barriga da perna, um encolher de ombros rápido, e continua a escrever.

Do outro lado da cidade, um contabilista reclina-se na cadeira durante uma videochamada, com o tornozelo apoiado na coxa oposta. A tensão arterial sobe discretamente e depois estabiliza quando descruza as pernas. Ele culpa a tensão da reunião. A cadeira, o ecrã, os prazos. Não a forma como está sentado.

A maioria de nós vê as pernas cruzadas como um hábito inofensivo, quase uma postura “por defeito”. Mas essa pequena torção do corpo pode desencadear uma reação em cadeia nas veias e na tensão arterial.

O que as pernas cruzadas fazem realmente às veias e à tensão arterial

Quando cruza as pernas, não parece que esteja a acontecer grande coisa. As ancas inclinam-se um pouco, a coluna curva-se, o joelho pressiona a outra perna. É confortável, quase reconfortante. O corpo gosta de atalhos, e este parece natural ao fim de alguns minutos sentado.

Mas, dentro das pernas, passa-se algo menos tranquilo. As veias ficam ligeiramente comprimidas, o sangue tem mais dificuldade em regressar ao coração e a pressão acumula-se nos membros inferiores. Não sente o esforço lento da circulação - apenas os dedos dormentes ou o pé que “adormece” sem motivo.

Essa pequena torção também pode fazer subir a tensão arterial. Quando as veias são apertadas, o corpo tem de fazer mais força para manter o sangue a circular. Estudos mostram que cruzar as pernas ao nível do joelho pode causar um aumento temporário e mensurável da tensão arterial. Não o vai mandar diretamente para as urgências, mas, repetido dia após dia, pode alimentar um padrão de que o coração não gosta.

Um ensaio clássico numa clínica de tensão arterial mostrou um padrão claro: voluntários que cruzavam as pernas ao nível do joelho durante as medições apresentavam valores mais altos do que quando estavam sentados com ambos os pés assentes no chão. A mesma pessoa, o mesmo braço, a mesma braçadeira - apenas uma postura diferente. Em alguns participantes, o aumento foi superior a 8–10 mmHg na pressão sistólica. É a diferença entre “no limite” e “vamos acompanhar isto de perto” numa ficha médica.

Imagine esse efeito não apenas durante os 2 minutos de uma medição, mas durante horas na cadeira do escritório ou no sofá. Com o tempo, as veias das pernas são obrigadas a trabalhar contra a gravidade como se estivessem de mãos atadas. Se já tem uma tendência genética para varizes, essa compressão repetida pode acelerar o processo. As válvulas das veias, que deveriam manter o sangue a subir, começam a enfraquecer sob esforço constante.

Isto não significa que uma noite de Netflix com as pernas cruzadas vai arruinar a sua circulação. O risco vem do hábito. Da forma automática como o tornozelo direito se “engata” no joelho esquerdo mal se senta. De ficar imóvel, com as pernas cruzadas, durante reuniões inteiras ou longas viagens de carro. As veias são como canalização macia: um pouco de pressão aqui e ali não é um desastre. Pressão persistente, combinada com demasiado tempo sentado, aumento de peso ou hormonas, pode levar àquelas linhas azul-escuras e sinuosas que, com a idade, vão aparecendo nas pernas.

As varizes são mais do que um incómodo estético. Podem doer, arder e deixar sensação de peso ao fim do dia. Em algumas pessoas, incham, dão comichão e provocam cãibras à noite. E, muitas vezes, a história de fundo inclui anos de esforço silencioso e repetido - com as pernas cruzadas a desempenharem um papel discreto.

Como sentar-se de forma mais inteligente sem virar “robô da postura”

Uma mudança simples faz muita diferença: pense em “pernas neutras” quando se senta. Ambos os pés assentes no chão, joelhos aproximadamente ao nível das ancas, peso distribuído de forma uniforme pelos ossos da bacia. Parece aborrecido, mas as suas veias adoram aborrecido. O sangue circula com mais liberdade, as veias não ficam comprimidas e há menos torção no joelho.

Se a cadeira for demasiado alta e os pés ficarem pendurados, coloque uma caixa ou uma pilha firme de livros por baixo. Esse pequeno apoio pode mudar a sensação de todo o corpo. Programe um alarme no telemóvel a cada 45–60 minutos e levante-se, rode os tornozelos, caminhe até à janela. O movimento é como um botão de reinício para a circulação. Não precisa de um tapete de yoga no escritório: basta descruzar, levantar, mexer-se e sentar de novo.

Numa viagem longa de comboio ou avião, tente mudar de posição a cada 20–30 minutos. Alterne entre ambos os pés assentes, cruzar suavemente ao nível dos tornozelos e voltar ao neutro. O verdadeiro inimigo é a pressão prolongada e estática no joelho, onde veias importantes passam perto da articulação. O objetivo não é sentar-se “perfeitamente”; é evitar ficar preso nessa posição apertada e torcida durante metade do dia.

Aqui está a parte difícil: as pernas cruzadas costumam significar conforto, não rebeldia. Está cansado, afunda-se na cadeira, o corpo fecha-se sobre si mesmo. Numa videochamada, parece descontraído. Num café, parece elegante. Descruzar pode parecer estranhamente rígido ao início, como se estivesse a posar para uma foto. É normal. Os hábitos são traiçoeiros: parecem naturais só porque os repetiu mil vezes.

Por isso, comece pequeno. Repare como coloca as pernas nos semáforos, durante intervalos na televisão ou na fila do consultório. Escolha uma situação - por exemplo, durante o almoço - e decida que aí as pernas ficam descruzadas. Quando isso for fácil, estenda aos e-mails da manhã ou ao trajeto diário. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias de forma perfeita. Mas cada hora em que as suas veias não estão “pinçadas” continua a ser uma vitória.

Muita gente comete também o mesmo erro: descruza as pernas e, em seguida, desaba na cadeira, com os ombros fechados e a bacia rodada para trás. Essa postura sobrecarrega a zona lombar e ainda pode abrandar a circulação. Pense em elevar ligeiramente o peito, crescer um centímetro, e deixar os ombros descerem, afastando-se das orelhas. Não está a fazer equilíbrio numa trave; está apenas a dar ao sangue um caminho mais desimpedido para voltar a casa.

“Quando os doentes perguntam o que podem fazer pelas suas veias, digo-lhes isto: mexam-se mais, cruzem menos, e ouçam os sinais que as pernas estão a dar antes de as veias começarem a aparecer”, explica um especialista vascular com quem falei, depois de mais uma manhã de consultas cheia de pernas pesadas e cadeiras de escritório.

Para simplificar, pode usar uma pequena lista mental sempre que se senta:

  • Pés assentes ou com apoio leve, não pendurados
  • Joelhos descruzados, ou apenas cruzados suavemente ao nível dos tornozelos por períodos curtos
  • Ancas ligeiramente mais altas do que os joelhos, se a cadeira permitir
  • Levantar-se ou caminhar pelo menos um minuto a cada hora
  • Se as pernas ficarem pesadas, tensas ou a formigar, mudar de posição imediatamente

Repensar um pequeno hábito que molda silenciosamente a sua saúde

Gostamos de associar grandes problemas de saúde a grandes causas: stress dramático, doença grave, choque súbito. Um hábito tão pequeno como cruzar as pernas parece demasiado insignificante - quase ridículo - para importar. E, no entanto, hora após hora, ano após ano, essa pequena torção muda a forma como o sangue flui pelo corpo. O “preço” muitas vezes aparece de forma discreta: tornozelos inchados em dias de calor ou veias salientes depois de turnos longos em pé.

Num autocarro cheio ou numa reunião, descruzar as pernas parece não ser nada. Ninguém repara. Não há aplausos, nem medalhas. Ainda assim, são esses os momentos em que as suas veias ganham uma pequena batalha. O coração bombeia, as válvulas nas veias fecham um pouco mais eficazmente, a pressão alivia-se um pouco. Não é um milagre - apenas uma pequena mudança positiva, multiplicada ao longo do tempo. Todos já passámos por aquele momento de nos levantarmos depois de muito tempo sentados e percebermos que o pé está dormente e a barriga da perna parece madeira. É o corpo a deixar-lhe um aviso educado.

Talvez leia isto, se endireite na cadeira, e amanhã à tarde já nem se lembre. Ou talvez - quando a perna começar a formigar na próxima reunião - surja um pensamento: “Ah. Pois. As minhas veias.” Pode baixar o pé para o chão e deixar o sangue fluir um pouco melhor. Pode dar a volta mais longa até à cozinha. Pode falar do assunto com um colega que brinca com as suas “veias de avó”. É aí que a mudança começa: nestas pequenas correções silenciosas que ninguém vê, mas de que o seu corpo se lembra.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
As pernas cruzadas aumentam a tensão arterial Cruzar ao nível do joelho pode provocar picos de curto prazo de 5–10 mmHg Ajuda a obter medições mais fiáveis e a reduzir o esforço diário sobre o coração
As veias não gostam de compressão prolongada Pressão persistente no joelho e na barriga da perna dificulta a subida do sangue Diminui o risco de desenvolver ou agravar varizes ao longo do tempo
Pequenas mudanças de postura acumulam-se Pés assentes, pernas descruzadas e pausas de movimento hora a hora melhoram a circulação Oferece uma rotina fácil e realista para proteger as pernas sem mudanças drásticas

Perguntas frequentes

  • Cruzar as pernas causa mesmo varizes? Cruzar as pernas não “cria” varizes por magia, por si só, mas pode acelerar o processo se já tiver risco. Aumenta a pressão em veias geneticamente ou hormonalmente vulneráveis - tornando o hábito mais um fator a pesar.
  • É mais seguro cruzar ao nível dos tornozelos em vez dos joelhos? Sim, cruzar ao nível dos tornozelos é, em geral, mais suave para as veias e para a tensão arterial do que cruzar ao nível do joelho. As veias maiores atrás do joelho ficam mais abertas, facilitando o regresso do sangue ao coração, sobretudo se não mantiver a posição por muito tempo.
  • Quanto tempo é “tempo a mais” com as pernas cruzadas? Não há um número mágico, mas estar com as pernas cruzadas durante 30–60 minutos seguidos, várias vezes por dia, é onde o risco se acumula. Alternar posições e fazer pequenas caminhadas reduz bastante o esforço.
  • Cruzar as pernas pode dar-me hipertensão de forma permanente? As pernas cruzadas causam aumentos de curto prazo, não hipertensão permanente. Ainda assim, se já vive com tensão alta, esses picos repetidos não ajudam e podem dificultar aos médicos perceber o seu valor de base real.
  • E se eu já tiver varizes - é tarde demais? De todo. Descruzar as pernas mais vezes, mexer-se com regularidade, usar meias de compressão (se recomendado) e controlar o peso pode abrandar a progressão e aliviar sintomas. Não dá para apagar veias já danificadas só com a postura, mas pode evitar alimentar o problema.

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