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Como as mudanças sazonais afetam as necessidades de hidratação dos animais e por que deve adaptar os bebedouros.

Pessoa a cozinhar com cão e gato na bancada da cozinha, junto a uma taça metálica e a um cesto de limões.

O primeiro dia frio de outono, o meu cão deixou de beber água.
Não completamente, mas o suficiente para eu reparar que a taça de aço inoxidável ficava quase cheia enquanto os radiadores começavam a estalar e as janelas embaciavam.

Dois meses antes, o mesmo cão arfava em pleno agosto, esvaziando a taça tão depressa que comecei a manter uma segunda no corredor, “para o caso”.

A mesma casa. O mesmo cão.
Uma relação totalmente diferente com a água.

Foi aí que percebi que os nossos animais não bebem apenas “quando têm sede”.
Bebem de acordo com a estação, com o ar, com o aquecedor debaixo da janela, com o sol a bater na cama deles.

E os nossos velhos hábitos - sempre iguais - com a taça de água ficam, silenciosamente, para trás.

Porque é que a sede do seu animal muda com o tempo

Observe um cão numa tarde quente de junho e quase consegue ver a água a evaporar-se dele.
Arfa, estende-se no chão fresco, e depois bebe na taça como se estivesse a tentar recuperar do calor.

Dois meses depois, o mesmo animal passa horas a dormir numa manta confortável, quase sem se mexer, quase sem beber, enquanto o ar seco dentro de casa lhe rouba humidade a cada respiração.
Este contraste engana muitos donos.

Esperamos que o verão seja a “zona de perigo” para a desidratação e, depois, desligamos mentalmente durante o resto do ano.
No entanto, as pequenas mudanças sazonais no comportamento, no pelo e no nível de atividade do seu animal estão constantemente a reescrever o que “água suficiente” realmente significa.

Veja-se a Molly, uma gata de seis anos, de interior, do Minnesota, cuja dona só percebeu que algo não estava bem quando a caixa de areia ficou quase seca durante dois dias em janeiro.
Lá fora, as temperaturas estavam abaixo de zero e, cá dentro, o aquecimento funcionava sem parar há semanas.

A Molly comia a ração seca habitual, dormia na prateleira junto ao radiador e raramente se levantava.
O prato de água, encostado num canto escuro da cozinha, estava mesmo ao lado da taça de comida e de um frigorífico a zumbir.

Quando a dona ligou ao veterinário, a Molly estava ligeiramente desidratada. Não gravemente doente - apenas um pouco “estranha”, com gengivas pegajosas e urina concentrada.
Nada de espetacular, nada que pareça uma emergência no Instagram.

Ainda assim, a rotina de inverno empurrou-a discretamente para o limite.
Menos movimento, ar mais seco e uma taça fácil de ignorar.

A lógica por trás disto é irritantemente simples.
Quando está calor, os animais perdem água ao arfar, ao suar pelas almofadas das patas e, basicamente, por existirem em ar quente.

Quando está frio, o corpo continua a precisar de líquidos para circulação, digestão e função renal, mas o sinal de “tenho sede” pode ser menos óbvio.
A atividade diminui, a casa fica mais seca, alguns animais mudam de comida húmida para seca, e nós, humanos, andamos ocupados a pôr mantas em vez de verificar taças.

Hidratação não é um projeto só de verão; é um equilíbrio o ano inteiro, que tem um aspeto diferente em julho do que em fevereiro.
A estação não muda tanto a necessidade de água do seu animal como muda a forma como essa necessidade aparece no dia a dia.

Como ajustar as taças de água ao longo das estações

O ajuste sazonal mais simples é também o mais negligenciado: mudar a taça de sítio.
Onde ela fica em agosto não tem de ser onde fica em janeiro.

No verão, colocar as taças longe do sol direto, de janelas que refletem calor e de zonas de passagem barulhentas mantém a água mais fresca e apelativa.
Pode acrescentar uma taça extra na varanda, no quintal ou perto da divisão mais quente onde o seu animal costuma “desabar” depois dos passeios.

Quando o frio se instala, mude a estratégia.
Afaste a água de portas com correntes de ar, de garagens frias ou de chão de mosaico gelado que o seu animal evita.
Para animais mais velhos, com articulações rígidas, aproxime a taça dos locais de descanso preferidos para que não tenham de escolher entre conforto e hidratação.

Uma das vitórias mais fáceis é mudar a altura, e não apenas a quantidade.
Um suporte elevado no inverno pode aliviar cães grandes com dores no pescoço ou costas artríticas.
No verão, uma taça estável e larga ao nível do chão pode ser mais segura para animais cheios de energia que atravessam a cozinha como pequenos furacões.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que, às 7 da manhã, dá um pontapé na única taça de água… e só repara duas horas depois.
Sejamos honestos: ninguém desinfeta taças todos os dias, religiosamente.

Ainda assim, uma rotina sazonal rápida ajuda.
Verão: esfregue com mais frequência, porque o calor cria gosma e bactérias.
Inverno: passe por água para remover pó e aquela secura do aquecimento que deixa uma película discreta à superfície.

Passos pequenos e imperfeitos vencem a fantasia de cuidados “perfeitos” que nunca se concretizam.

“As pessoas pensam muitas vezes: ‘O meu animal vai beber quando tiver sede’, mas isso nem sempre é verdade”, diz a Dra. Lena Ortiz, veterinária de animais de companhia. “As mudanças sazonais podem atenuar os sinais de sede ou tornar a própria água menos apelativa. O nosso trabalho é tornar beber fácil, óbvio e agradável.”

  • Rodar as localizações das taças de forma sazonal
    No verão, afaste-as de radiadores e janelas com sol; no inverno, afaste-as de correntes de ar e de chão frio.
  • Usar materiais diferentes para a taça
    Cerâmica ou aço inoxidável tende a manter a água mais fresca do que plástico, especialmente em tempo quente.
  • Adicionar taças extra durante temperaturas extremas
    Ondas de calor e vagas de frio são sinais para colocar uma segunda ou terceira taça onde o seu animal realmente passa tempo.
  • Brincar com a temperatura da água
    Água fresca (não gelada) no verão; água à temperatura ambiente no inverno pode incentivar beber mais vezes.
  • Observar os “sinais de hidratação”
    Verifique gengivas, elasticidade da pele e a “produção” na caixa de areia ou no quintal quando a estação muda - não apenas quando o animal parece doente.

O poder discreto de prestar atenção à taça

Quando começa a reparar, a história da água em sua casa torna-se impossível de ignorar.
Apanha o seu gato a preferir a torneira da casa de banho à taça da cozinha.

Percebe que o seu cão bebe sempre mais da taça na lavandaria depois dos passeios do que daquela taça brilhante e “de designer” na sala.
Vê como uma simples mudança para longe do aquecedor duplica, de repente, a frequência com que ele bebe.

Isto não são manias aleatórias.
São sinais sobre temperatura, localização, cheiro, som e estação.

Há algo de reconfortante em ajustar um detalhe pequeno como uma taça de água à medida que os meses passam.
A chuva da primavera transforma os passeios em lama e os cães arfam, por isso acrescenta uma taça perto da porta.

O verão chega com ventoinhas, janelas abertas, talvez uma piscina insuflável, e percebe que água fresca e limpa é, basicamente, o ar condicionado do seu animal.
O outono suaviza a luz, encurta os passeios e leva-o a puxar a taça um pouco mais para perto da cama.

No inverno, o aquecedor murmura, o seu animal dorme mais tempo e, de repente, o gesto mais cuidadoso não é mais um petisco ou brinquedo.
É uma taça pesada e estável de água limpa, à temperatura ambiente, onde as patas envelhecidas não têm de andar muito.

Não precisa de tabelas, aplicações ou hábitos perfeitos para acertar nisto.
Só de vontade de olhar para essa taça humilde como uma parte viva da sua casa, e não como um acessório esquecido no mesmo canto desde o dia em que trouxe o seu animal para casa.

Os cuidados sazonais vendem-se muitas vezes como grandes gestos: camas novas, casacos, suplementos, gadgets.
No entanto, algumas das mudanças mais poderosas são tão pequenas como rodar uma taça, esfregá-la um pouco mais em julho, ou enchê-la com intenção tranquila numa manhã escura de janeiro.

As estações vão continuar a mudar, reparemos nelas ou não.
A pergunta é: essa taça de água vai mudar com elas?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Mudanças sazonais da sede O calor aumenta a perda de água; o frio atenua os sinais de sede enquanto o ar continua seco Ajuda a antecipar quando o seu animal pode aproximar-se silenciosamente da desidratação
Ajustar a colocação da taça Afastar do sol, aquecedores e correntes de ar e aproximar de locais de descanso Torna beber mais fácil e apelativo ao longo do ano
Mudar a rotina, não só o volume Esfregar mais no verão, elevar taças para animais mais velhos, adicionar estações extra em extremos Hábitos simples que melhoram a saúde sem equipamento caro

FAQ:

  • Quanta água deve o meu cão ou gato beber por dia?
    Os cães precisam, em geral, de cerca de 50–60 ml de água por quilo de peso corporal por dia, enquanto os gatos rondam 40–50 ml, mas o nível de atividade, a dieta e a estação podem aumentar ou diminuir estes valores. Foque-se em beber de forma regular, urinar normalmente e manter boa energia, em vez de perseguir um único número “perfeito”.
  • Os animais bebem mesmo menos no inverno?
    Muitos bebem, porque se mexem menos e não sentem tanto calor, mas o aquecimento em casa seca o ar e o corpo continua a precisar de líquidos. É por isso que a desidratação no inverno muitas vezes passa despercebida até notar prisão de ventre, saliva mais espessa ou urina com cheiro mais intenso.
  • Devo oferecer água morna em tempo frio?
    Água à temperatura ambiente costuma ser o ideal; morna pode ajudar animais que parecem relutantes em beber no inverno. Evite água muito quente e, antes de tudo, foque-se em frescura, limpeza e colocação conveniente.
  • Uma fonte de água é melhor do que uma taça normal?
    Muitos gatos e alguns cães bebem mais de água corrente, especialmente nos meses quentes, porque parece mais fresca e mais fria. Uma taça simples pode funcionar tão bem se estiver limpa, bem posicionada e for reabastecida com frequência; escolha uma fonte se encaixar na sua rotina, não por culpa.
  • Quais são sinais subtis de que o meu animal está pouco hidratado?
    Procure gengivas ligeiramente pegajosas, menos urina ou urina muito concentrada, apatia, nariz ou almofadas das patas secos, pele com “retorno” mais lento quando levantada suavemente, ou uma queda súbita no interesse em brincar. Qualquer combinação destes sinais, sobretudo com vómitos ou diarreia, é motivo para ligar ao veterinário.

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