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Colegas que reconhecem as qualidades uns dos outros colaboram de forma mais harmoniosa em projetos de equipa.

Três pessoas colaboram em sessão de brainstorming numa mesa com notas adesivas e laptop, num escritório iluminado.

A sala ainda não estava tensa, apenas pesada.
À volta da mesa do projeto, os portáteis brilhavam e os cafés arrefeciam enquanto uma equipa de marketing discutia quem deveria liderar a apresentação ao cliente. Uma designer defendia os seus slides. Um analista de dados insistia que os números precisavam de estar no centro. As vozes mantinham-se educadas, mas sentia-se a competição silenciosa: toda a gente a tentar provar que era a pessoa “mais útil” na sala.

Depois aconteceu algo raro.

A copywriter, normalmente discreta, interveio: “Vejam, a Sara é incrível com clientes. Devia ser ela a apresentar. E os gráficos do Mark resultam sempre. Eu fico focada na narrativa que liga vocês os dois.”

O ar mudou. Os ombros desceram. As pessoas acenaram.

Aquela reunião deixou de ser uma luta por poder e passou a ser uma colaboração a sério.

Tudo porque alguém escolheu nomear os pontos fortes dos outros, em vez de lutar para proteger os seus.

Porque é que reparar nos pontos fortes acalma a competição escondida

Na maioria das equipas, a competição não aparece como portas a bater ou discussões aos gritos.
Aparece de formas mais pequenas e discretas: a pessoa que fala um pouco demais em todas as reuniões, o colega que confirma o teu trabalho três vezes “só por precaução”, aquele que se irrita quando outra pessoa recebe elogios. Por trás de tudo isso está o mesmo medo: se outra pessoa parece forte, eu devo parecer fraco.

Quando os colegas começam a reconhecer abertamente os pontos fortes uns dos outros, essa tensão subterrânea alivia.
Não tens de lutar por cada centímetro de visibilidade se sabes que o teu valor é visto.
A energia na sala muda de “eu contra ti” para “nós contra o problema”.

Imagina uma equipa de produto a lançar uma nova app.
No papel, estão cheios de talento: uma gestora de produto visionária, um programador rápido, um QA obcecado com detalhes, uma designer de UX que percebe mesmo os utilizadores. No início, o projeto emperra. As reuniões alongam-se, as decisões arrastam-se, ninguém quer ceder na “sua” parte.

Depois, a gestora começa cada sprint a dizer em voz alta em que é que cada pessoa é especialmente boa.
“Lena, o teu olho para casos-limite salvou-nos da última vez. Quero que fiques responsável pela lista de riscos.”
“Jay, os teus mockups conquistam sempre os utilizadores. Lidera o fluxo de testes com utilizadores.”

A mudança é subtil, mas real. As pessoas deixam de defender o seu território e começam a apoiar-se na sua zona de génio.
A velocidade aumenta.
E o ambiente também.

Por trás disto está algo muito simples: o cérebro humano é obcecado com estatuto e segurança no trabalho.
Quando as pessoas sentem que a sua contribuição é reconhecida, não precisam de ocupar tanto espaço nem de rebaixar os outros. Isso liberta energia cognitiva que antes era gasta em autoproteção.

Reconhecer pontos fortes também clarifica papéis.
Quando dizes “És ótimo/a a estruturar ideias confusas, podes ficar com o plano?”, reduces a ambiguidade e o esforço duplicado. Menos atrito, menos ressentimentos escondidos.

Equipas que falam abertamente sobre os pontos fortes umas das outras baixam discretamente o volume emocional em todas as conversas de projeto.
É aí que a colaboração verdadeira começa a parecer possível, em vez de teórica.

Como começar a reconhecer pontos fortes sem soar falso

Não precisas de um workshop nem de um programa de RH para começar.
Precisas de uma frase de cada vez.

Começa pequeno.
Depois de uma reunião, diz a um colega: “Explicaste isso de forma tão clara que finalmente percebi a parte técnica.”
Ou escreve no chat do projeto: “Podemos admitir que os prazos do Alex evitam que isto tudo descambe?”

O segredo é seres preciso/a.
Não digas “És incrível.”
Diz “Tu consegues sempre transformar ideias vagas em próximos passos claros. Isso salvou-nos esta semana.”
Pontos fortes reais vêem-se no comportamento, não em elogios vazios.

Muita gente evita fazer isto porque tem medo de parecer lamechas ou manipulador.
É um receio legítimo, sobretudo em ambientes onde o elogio é usado como ferramenta para fazer as pessoas trabalhar até mais tarde.

A diferença entre bajulação e reconhecimento verdadeiro é a especificidade e o timing.
Não estás a distribuir estrelas douradas ao acaso.
Estás a nomear o que alguém fez, quando fez, e como isso ajudou a equipa a avançar.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
Ficamos ocupados. Esquecemo-nos.
Damos atenção excessiva ao que não está a funcionar em vez de destacar o que, silenciosamente, salva o projeto.

Mas mesmo um ou dois reconhecimentos genuínos por semana podem começar a reprogramar a cultura da equipa.

“O reconhecimento é oxigénio para a colaboração.
Sem ele, as pessoas sobrevivem.
Com ele, começam a criar.”

  • Nomeia a ação específica
    “Reparei que ficaste até mais tarde ontem para arrumar o backlog.”
  • Liga-a a um impacto concreto
    “Isso fez com que o planeamento de hoje fosse mais rápido e menos stressante para toda a gente.”
  • Associa-a a um ponto forte
    “Tens mesmo muita capacidade para ver três passos à frente no processo.”
  • Mantém curto
    Uma ou duas frases chegam. Discursos longos parecem encenados.
  • Às vezes em público, outras em privado
    Ambos contam. O reconhecimento público constrói confiança. O reconhecimento privado cria profundidade.

Quando os pontos fortes se tornam um mapa partilhado, e não uma arma secreta

Acontece algo interessante quando uma equipa fala regularmente sobre pontos fortes.
Esses pontos fortes deixam de ser armas secretas usadas para se destacar e passam a ser recursos partilhados com os quais todo o grupo pode contar.

Em vez de pensar em silêncio “sou a única pessoa que consegue fazer isto”, as pessoas começam a dizer “esta parte encaixa no teu ponto forte, queres ficar com ela?”
Os fluxos de trabalho mudam.
As tarefas passam a ser atribuídas menos pela hierarquia e mais pelo encaixe.
E o conflito muda de sabor: menos “tu contra mim” e mais “o teu ponto forte contra o meu - o que é que o projeto precisa agora?”

Claro que nem tudo é fácil.
Às vezes, nomear pontos fortes também obriga a ver lacunas.
Alguém pode perceber: “Sou sempre a pessoa que resolve, nunca tenho tarefas estratégicas.”
Outra pessoa pode ver que a sua força em grandes ideias esconde uma fraqueza em concluir.

Esse desconforto é real, e é humano.
Mas abre uma porta: quando os pontos fortes estão em cima da mesa, as conversas sobre desenvolvimento tornam-se mais honestas.
Podes dizer: “És brilhante com clientes, e gostava de te ver desenvolver competências de planeamento para poderes liderar contas maiores.”

Não estás a atacar a pessoa.
Estás a construir sobre a sua base.

Há ainda uma camada mais profunda: o reconhecimento gera segurança psicológica.
Quando as pessoas ouvem aquilo que fazem bem, ficam mais dispostas a admitir aquilo em que não são tão boas.
É aí que vive a colaboração verdadeira.

Equipas que nunca falam de pontos fortes muitas vezes também nunca falam de fraquezas.
Tudo fica debaixo da superfície.
Mas quando “Tu és ótimo/a nisto” é normal, “Preciso de ajuda naquilo” torna-se mais fácil de dizer.

Essa mistura de confiança e humildade é exatamente o que faz o trabalho em grupo parecer menos uma luta e mais uma banda a tocar em sintonia.
Toda a gente traz o seu instrumento.
Toda a gente sabe porque está ali.

Olha à tua volta na tua equipa por um momento.
Quem resgata o projeto em silêncio quando as coisas ficam caóticas?
Quem mantém o centro emocional em reuniões tensas?
Quem apanha sempre o erro tipográfico no slide final, ou faz aquela pergunta que muda a decisão?

Isto não são notas de rodapé.
Isto são pontos fortes.
Merecem ser ditos em voz alta, não apenas apreciados em silêncio.

Quando os colegas reconhecem consistentemente os pontos fortes uns dos outros, a colaboração deixa de ser uma buzzword num slide e passa a ser uma experiência vivida.
As conversas aprofundam-se.
Os egos relaxam.
Os projetos deixam de parecer batalhas a solo, travadas num calendário partilhado.

Talvez o próximo ponto de viragem na tua equipa não seja uma ferramenta nova, nem um método novo, nem um grande retiro.
Talvez seja a próxima vez que olhas para um colega e dizes uma frase simples que lhe mostra: “Eu vejo o que tu trazes. Aqui isso importa.”

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
O reconhecimento de pontos fortes reduz a competição escondida Reconhecer contribuições específicas acalma a ansiedade de estatuto e clarifica papéis Menos atrito, reuniões mais fluidas, menos conflitos que drenam energia nos projetos
Elogio específico e honesto é mais poderoso do que elogios genéricos Ligar comportamento → impacto → ponto forte em vez de dizer “És ótimo/a” sem contexto Constrói confiança e credibilidade, para que as tuas palavras reforcem mesmo a colaboração
Um mapa partilhado de pontos fortes transforma a atribuição de tarefas O trabalho alinha-se com o que as pessoas fazem melhor, criando espaço para desenvolver áreas fracas Melhor desempenho, mais envolvimento e uma cultura de equipa que parece justa e energizante

FAQ:

  • Como reconheço o ponto forte de um colega sem soar falso/a?
    Foca-te numa ação recente e específica, diz como ajudou a equipa e liga isso a um ponto forte claro. Mantém curto e assente em factos.
  • E se a cultura do meu local de trabalho for muito competitiva?
    Começa em privado com uma ou duas pessoas em quem confies. O reconhecimento positivo pode espalhar-se discretamente e suavizar, aos poucos, as arestas de uma cultura dura.
  • Focar pontos fortes não é ignorar fraquezas?
    Não. Os pontos fortes são um ponto de partida. Quando as pessoas se sentem vistas e seguras, ficam mais abertas a feedback honesto sobre áreas de desenvolvimento.
  • E se eu sentir que os meus pontos fortes não são reconhecidos?
    Podes continuar a reconhecer os outros e, ao mesmo tempo, nomear a tua contribuição de forma calma e factual nas reuniões ou atualizações. As duas coisas podem coexistir.
  • Isto funciona em equipas remotas ou híbridas?
    Sim. Usa menções nas reuniões, mensagens curtas no chat e feedback por escrito. Equipas remotas até beneficiam ainda mais de reconhecimento explícito.

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