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A psicologia revela as três cores mais escolhidas por pessoas com baixa autoestima.

Mulher dobrando roupas em uma mesa com caderno, tintas e plantas ao fundo.

One encomenda um batido amarelo-vivo “porque parece feliz”. Outra aponta para a caneca vermelho-intenso na prateleira e diz: “Isto sou mesmo eu.” A terceira escolhe em silêncio a chávena preta lisa, quase a pedir desculpa por ter demorado tanto. Ninguém diz nada, mas as cores suspensas entre elas contam uma história completamente diferente.

Os psicólogos observam estas pequenas escolhas há anos. A gravata que pega de manhã, a capa do telemóvel que escolhe, o verniz que volta a pintar todos os domingos à noite. Não são aleatórias. Tendem a repetir-se, sobretudo quando não se sente muito bem consigo.

Alguns tons regressam, vezes sem conta, em pessoas com baixa autoestima. E um deles provavelmente está no seu guarda-roupa neste momento.

As três “cores de conforto” que sinalizam discretamente baixa autoestima

Quando os investigadores analisam a relação entre cor e autoimagem, aparecem três vencedores óbvios: preto, cinzento e um azul muito desbotado. Não são cores “más”. São seguras. Misturam-se. Dizem “não olhem demasiado para mim” sem usar uma única palavra.

O preto vem primeiro. Esconde formas, desfoca contornos, apaga o que não quer que os outros vejam. O cinzento segue-se, como um filtro suave por cima de toda a imagem. O azul pálido entra muitas vezes também: não o azul-real da confiança, mas a versão tímida, quase enevoada.

Usar uma cor uma vez não significa nada. A história começa quando estas três tonalidades se tornam a sua configuração padrão.

Em 2021, um estudo de uma universidade britânica sobre a autoimagem de estudantes pediu às pessoas que escolhessem cores que “se parecessem com elas” antes de uma grande apresentação. Quem pontuou baixo em autoestima escolheu preto e cinzento duas vezes mais do que quem se sentia confiante. Estudantes com autoestima elevada inclinaram-se para azuis mais ricos, vermelhos e verdes.

Outra experiência usou t-shirts num expositor: 10 cores, o mesmo corte, o mesmo preço. Os participantes com baixo valor próprio, medido por escalas psicológicas padrão, gravitaram para o preto em 6 de 10 casos. Muitos explicaram da mesma forma: “Não chama a atenção”, “Com preto não há como errar”, “Ao menos ninguém me vai julgar”.

Esta é a lógica silenciosa da autoproteção. Se já se sente julgado, escolhe cores que ajudam a desaparecer um pouco. Os números apenas dão forma ao que muitas pessoas sentem, mas nunca dizem em voz alta.

Os psicólogos sublinham uma coisa: as cores não criam baixa autoestima. Refletem-na. Preto, cinzento e azul desbotado funcionam como uma armadura. Quando está cansado de tentar ser apreciado, veste algo discreto e deixa o dia passar.

Autoestima, em termos de investigação, é o grau em que acredita ser digno e capaz. Quando essa crença vacila, o cérebro entra em modo de gestão de risco. Vermelhos vivos, laranjas ou rosas intensos podem parecer um holofote apontado a cada falha percebida.

Por isso, recorre aos neutros, repetidamente. É menos uma escolha de moda e mais uma estratégia de sobrevivência. O problema é que, com o tempo, estas cores de sobrevivência começam a reforçar a história que conta a si próprio: “Sou pano de fundo. Não sou a personagem principal.”

Como usar a cor, com suavidade, para reconstruir a sua autoimagem

Uma pequena mudança prática que muitos terapeutas recomendam é a “regra de 1 peça de cor”. Mantém os seus pretos e cinzentos de estimação, mas acrescenta uma pequena peça de cor todos os dias. Um anel. Um cachecol. Um caderno. Um par de meias que só você vai ver.

Não passa de preto da cabeça aos pés para laranja néon. Experimenta nas margens da sua zona de conforto. Terracota suave em vez de um vermelho aos gritos. Verde-floresta profundo em vez de um verde-lima ácido. Um azul ligeiramente mais forte em vez do seu habitual azul desbotado.

Este pequeno gesto muda a forma como se sente na própria pele durante alguns segundos. Esses segundos importam. Mostram ao seu cérebro outra versão de si - uma que não tem de se esconder o tempo todo.

Profissionais de imagem e psicólogos veem a mesma armadilha repetidamente: pessoas com baixa autoestima à espera de “se sentirem melhor” antes de deixarem entrar qualquer cor. A lógica é simples: “Quando eu gostar do meu corpo, vou ter coragem de usar esse vestido.” Na realidade, acontece o contrário.

Muitas vezes, precisa primeiro do gesto e só depois vem a sensação. Vista a camisola um pouco mais ousada num dia sem grande pressão. Pinte as unhas de vermelho num domingo em casa. Use a garrafa de água colorida na secretária onde ninguém comenta. São experiências de baixo risco que testam o seu medo de ser visto.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Vai falhar dias. Vai voltar ao preto total para uma reunião importante. Está tudo bem. Mudanças de hábitos de cor não são lineares; parecem mais um gráfico confuso com descidas e picos. O que conta é a tendência geral: esconder-se um pouco menos à medida que os meses passam.

“A cor não cura a baixa autoestima”, diz uma psicóloga clínica com quem falei, “mas dá às pessoas uma forma muito concreta de desafiar a narrativa interna: ‘Tenho de ser invisível para estar seguro.’ É como rodas de apoio para aprender a ser visto.”

Quando começar a brincar com isto, três verificações simples ajudam a manter a gentileza consigo:

  • Pergunte: “Escolhi esta cor porque gosto dela, ou porque me ajuda a desaparecer?”
  • Guarde uma peça “ousada” que só usa à volta de pessoas de confiança, só para sentir como reage.
  • Repare como os outros realmente respondem. A maioria das pessoas é muito menos crítica do que a voz na sua cabeça.

Num dia mau, vai continuar a pegar no hoodie cinzento. Num dia mais corajoso, acrescenta aquele cachecol verde. Isto não é sobre se tornar um arco-íris. É sobre provar, lentamente, a si próprio que ser visível não significa automaticamente ser atacado.

Deixar que as suas cores contem uma história diferente

Tendemos a pensar na roupa e nas cores como algo superficial, quase trivial. Mas pergunte a quem já esteve em frente ao guarda-roupa antes de um jantar após uma rutura, de uma entrevista de emprego ou de um funeral: a escolha pode parecer carregada. Num nível mais profundo, a cor é uma conversa silenciosa consigo.

A psicologia não diz “deite fora a sua roupa preta”. Sugere que escute o porquê por trás dos seus tons preferidos. Ama mesmo a simplicidade do preto, ou tornou-se um esconderijo? Aquela camisa azul suave fá-lo sentir-se calmo - ou apagado?

Num autocarro, num escritório, numa sala de aula, as três cores de conforto da baixa autoestima estão por todo o lado. Isso não quer dizer que toda a gente que as usa esteja a lutar. Mas significa que, quando as deteta na sua própria vida, tem uma pequena abertura para ser mais gentil consigo. E talvez, peça a peça, escrever uma nova paleta para a pessoa em que se está a tornar.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
As três “cores refúgio” Preto, cinzento e azul muito pálido são frequentemente escolhidos por pessoas com baixa autoestima Permite observar os próprios hábitos sem julgamento e reconhecer um possível sinal
Um uso protetor das cores Estas tonalidades servem de armadura emocional para atrair menos atenção e reduzir o risco de julgamento Ajuda a compreender a lógica por trás das escolhas, em vez de se culpar
Micro-mudanças diárias Introduzir apenas um toque de cor por dia pode, lentamente, alterar a perceção de si Oferece um método simples e concreto para experimentar mais confiança sem se sentir exposto

FAQ:

  • Vestir muito preto significa que eu tenho, de certeza, baixa autoestima? Não necessariamente. Muita gente gosta de preto pelo estilo ou pela praticidade. Torna-se relevante quando sente que não consegue vestir mais nada por medo de ser visto ou julgado.
  • Existem cores “de alta autoestima” na psicologia? Estudos associam frequentemente azuis mais ricos, verdes e alguns vermelhos à confiança, mas o contexto e a cultura contam muito. O que pesa mais é sentir-se livre para escolher uma gama de cores - e não apenas uma zona segura.
  • Mudar o meu guarda-roupa pode mesmo afetar a minha autoestima? A roupa, por si só, não resolve questões profundas; ainda assim, pequenas mudanças visíveis podem apoiar terapia, escrita terapêutica ou trabalho pessoal, ao dar-lhe provas diárias de que consegue tolerar ser um pouco mais visível.
  • E se eu gostar mesmo de cinzento e de tons minimalistas? Então mantenha-os. A pergunta-chave é: “Estas cores exprimem-me, ou protegem-me?” Se for expressão, fazem parte do seu estilo - não são um problema.
  • Como começo se cores fortes me deixam ansioso? Comece com mudanças muito subtis: um tom ligeiramente mais vivo de uma cor que já usa, um acessório colorido que ninguém repara, ou cor em objetos que não são roupa, como cadernos ou capas de telemóvel.

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